sexta-feira, 23 de julho de 2021

Fotograma

 


A falta de ar começou com a pandemia. No Verão, passado. Ainda presente, a pandemia. E a falta de ar. Do Verão. E do verão. De mansinho o sol foi se apagando. E a falta de ar, o que eu lhes digo, como um polvo, estendeu seus tentáculos pelo Outono. Pelo Inverno. E outra vez pelo Verão. Pelas casas, pelos bairros, pelas cidades, em todos os rincões. Pelos sonhos, pela vida afora. A falta de ar, os mesmos olhos de antes, incide verticalmente nas pessoas. Cerro os  punhos quando vejo que a falta de ar se enreda sutilmente em quase toda a gente em torno de mim. E quanto é difícil adivinhar, no 'baile de máscaras', quem é quem, e a pandemia a alcançar outra vez o Inverno. Toda a gente tem o olhar cansado. E tristes silêncios. Ao girar em corrupios, a falta de ar ruge pelos beirais da vida sem pardais em todos os quadrantes. Haja fel. A falta de ar corrói a vida de cada um. Passará? Passaremos?


(José Carlos Sant Anna)


15 comentários:

  1. Um texto impecável, Poeta, que traduz a história de todos nós, por estes tempos que se alongam por demais.

    Quando tudo começou, me revoltei, não me conformava em ter que ficar aprisionada, em não ter a liberdade de outrora, essa falta de ar foi se instalando, sufocando e enveredando-se por todos os lados.

    Medo se espalhou e quero crer que tudo que começa, há de acabar. Tenho fé que tudo há de passar e passaremos... e vamos poder outra vez libertos, respirar a doçura de puros ares.

    Bom sábado, José! Um abraço
    Valéria

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  2. Sim, como um frame que não tem fim_ imagens se sobrepondo e deixando-nos literalmente, sem ar. É tempo demais.
    Apesar de tudo, a vida.
    Amo o milagre do inverno que trás a primavera. E, amo as noites frias de julho que tornam-nos mais próximos, mesmo distantes. Todos aconchegados em casa rs
    E lembro do poeta Drummond _ a vida parou ? ou foi o automóvel? rs
    _e sigamos Jcarlos sigamos!

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  3. p.s deixei um agradecimento ao seu comentário no canto do Fagner.
    _como não sei se te avisam, eu aviso ok?
    abraço

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  4. Infelizmente essa falta de ar - uso de máscara - vai ter que continuar. Temos que ser (TODOS) responsáveis e não "fingir" que a Pandemia não existe.
    .
    Uma semana feliz. Cumprimentos.
    .
    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .

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  5. Que texto lindo, José Carlos, você traçou um retrato do que estamos passando, sentido também uma falta de ar, principalmente com a máscara, que me leva a querer voltar logo para poder respirar livremente. A tristeza vai e volta, alterna com uma alegria contida, com uma dúvida que martela muitas vezes. A sensação é que vai demorar muito para estendermos um voto de confiança em várias direções, como sempre houve. Escutei pela TV que esse uso das máscaras vai todo o 2022. Aqui, o inverno está forte, aguardo pela primavera com a esperança de mais alegria, igual a alegria das plantas, dos pássaros. Um renascimento, mas será?
    É isso, querido amigo, tudo passará, todos passaremos, mas alguém 'passarinho'?
    Uma boa semana! Cuide-se.
    beijo.

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  6. Diferente dos demais esse teu texto, poeta, no sentido do tom que senti nas palavras. A melancolia, um certo cansaço, e uma "falta de ar". E com razão. Todos estamos nos arrastando na mudança se humor constante.
    Expressaste bem, muito bem a " falta de ar" da humanidade e desse Planeta, que creio, esteja em transição, de expiações pra regeneração. Isso me consola. Apenas não sei se estaremos aqui pra vivenciar um mundo e seus habitantes respirando o ar da saúde, do amor, da justiça e da liberdade.
    Eita , que filosofei demais.(risos)

    Beijos com alegria , José Carlos Sant Anna!!

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  7. Há muito que o ar nos avisa, há muito que não o ouvimos.
    Estamos agora a pagar o preço desse descaso, cansados sufocamos.
    E as estações indiferentes, Passarão? Passaremos?

    Desculpe este meu devaneio amigo José Carlos.
    Vou fazer uma pausa, tentar mudar o meu olhar cansado.

    Um beijinho, cuide-se e até breve!


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  8. Olá, José Carlos.
    Essa pandemia é a nossa desgraça, mas pelo menos serviu nesse caso para inspirar o poeta e cronista uma bela crônica, o que quer dizer que resta-nos ainda algum fôlego. Parabéns!
    Uma excelente semana, com os cuidados com a saúde.
    Grande abraço.

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  9. Sim, a falta de ar é generalizada, e, acredite-se ou não, não passará tão rápido como desejaríamos.
    Ainda muita água terá de correr debaixo da ponte até que possamos respirar livremente, sem "falta de ar".

    Obrigada pelas palavras tão gentis deixadas na minha "CASA".

    Continuação de boa semana.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

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  10. Passará.
    Mas o que fica daquilo que passa?


    Abraço

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  11. Texto belo de realista! A falta de ar e de ares tem sido a nossa constante companhia. Se passará, se passaremos? Quem saberá?! Acho que anda gente passando-nos a perna e as peneiras.

    Desejo tudo de bom para aí.
    Abraços.

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  12. Ci sentiamo sempre più tristi e stanchi, non sappiamo cosa ci riserverà il futuro, è una sensazione che ci rende cupi, nonostante cerchiamo faticosamente di tornare alle nostre abitudini. Non so se tutto questo passerà e se potremmo tornare a respirare aria nuova.
    Molto bello il testo, ti lascio un abbraccio.

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  13. Un texto muy real, ojalá podamos respirar en este mundo.con mas libertad!!! Un abrazo grande

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  14. Estamos passando, cada um ao seu modo. Ótimo texto.

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  15. Has descrito a la perfección lss sensaciónes y desalientos que está produciendo esta dichosa pandemia, a todos nos afecta a la larga porque somos seres sociables que nos necesitamos y sobre todo darnos el abrazo que nos fortalece, la mascarilla nos roba hasta la expresión, pero...pasará y podremos volver a sonreir abiertamente y a abrazarnos con fuerzas
    Un placer leerte
    Un abrazo
    Carmen

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