segunda-feira, 21 de junho de 2021

Solfejando

 


Até quando o outono esgota a fome de cristais e a ausência dos corpos mostra que a morte é a aurora próxima depois que um amor atravessou o seu peito?

Em que telhado, raso e vazio, o fogo-fátuo esplende voejando nos cabelos da moça que um dia foi perseguida em sonhos mascando tutifruti? 

Tarde demais, menina! Apita! Apita! É chegada a hora de aguardar a partida do trem de hortelã e seguir a viagem escutando baixinho no radinho de pilha o salmo inventado para as noites de frio que emudecem o piano enquanto o concerto das brumas acena lá do alto em notas breves! 


(José Carlos Sant Anna)


12 comentários:

  1. Poema lindíssimo que fascinou o meu ego ao ler. O meu elogio
    .
    Abraço poético
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    Pensamentos e Devaneios Poéticos
    .

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  2. Depois que um amor atravessa o peito, ainda mais no Outono da vida, as auroras são únicas. O jeito é aprender música porque somente uma melodia pra ajudar atravessar o Inverno , intacto.
    Depois me conta sobre as metáforas do teu texto poético porque não sou tão talentosa assim. Risos. Curiosa sim , me dá até urticária quando quero saber alguma coisa que me interesse. Kkkkkkkk

    Beijos beijos

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  3. Boa noite. Obrigado pelo lindo e maravilhoso poema.

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  4. Un magico poema, hermoso y una vez leído se cuela hasta el alma
    me ha gustado mucho
    Un abrazo y buen fin de semana
    Carmen

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  5. Caro José Carlos, você está vivo e bem vivo. Caramba, que energia é essa que o move?

    Grande abraço

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  6. A fome de vida é inesgotável, isso é perceptível por aqui!
    Assim como a fonte de belezas de onde sai o seu verbo, a sua lírica.

    Grande abraço!

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  7. Em tempo: essa interpretação do Chet Baker é definitiva!

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  8. Nunca é tarde para amar.
    Desistir é proibido.

    RE. De facto há muito tempo não o via na minha "CASA".
    Ainda bem que redescobriu o caminho 😀
    Obrigada.

    Votos de uma feliz Terça Feira.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS


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  9. Lendo o seu poema, com o som de CHET BAKER como fundo, até o outono parece primavera.
    Nunca é tarde para solfejar o amor!

    Um beijinho, amigo José Carlos

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  10. Olá, José Carlos, nunca será demais ouvir CHET BAKER, com a sua voz que, para mim, se parece com a do João Gilberto, e com o som excelente do seu pistom, músico que está entre os que tem de melhor, em se tratando de Jazz.
    Mas, a sua postagem torna-se maior ainda com esse belo texto, do qual gostei muito de ler, pela forma da escrita e pelo seu conteúdo.
    Um ótimo final de semana, com saúde e esperança.
    Grande abraço, cuide-se.

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  11. Vi aqui uma bela postagem; um quadro (teu texto poético) cuja moldura (My Funny Valentine) levou a uma postagem impar! Escutando e lendo, e virou um aplauso, meu amigo! Tudo bem casadinho.
    Uma boa semana, com alegria e...saúde, paciência... precisamos de esperança, o cenário político também tá ficando muito enrolado...
    Cuide-se, José Carlos.
    Beijo

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  12. A arte de solfejar é quase como emudecer o piano, seguir aquelas notinhas pretas da partitura e assim ler baixinho o seu poema.
    Mágico mas aumenta a fome.rs
    um abraço Jcarlos

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