sábado, 7 de novembro de 2020

Ilha interior


O mundo visto à sombra das horas desertas não era sequer o imaginado nos olhos adolescentes como se ainda voássemos, tímidos pássaros que éramos, no lombo de burros. Grave alegria em nossa ilha interior. A todo instante chegam postais, dando-nos conta do passado como se nos quisessem dizer: é em vós que o mundo sempre existiu. Porque os postais contam, sem os naufrágios, as histórias dos nossos primeiros passos. E o marulhar das lembranças nos diz tanto de madrugadas nunca esquecidas na escalada das almejadas culminâncias a embriagar-nos, que já não sabemos o que tem atravessado o gargalo das noites de caminhos infinitos.

 

(José Carlos Sant Anna)