quinta-feira, 17 de setembro de 2015

No tempo das carruagens

Um coupé de gala, Museu Real de Arte e História, Bruxelas

O que faço da espuma
e da tua calcinha molhada?
É amor inocente ou sedução?...

E da chaleira incessante,
pura fervura
ou apenas um instante
de sofreguidão?

E do roçar dos corpos,
e da dança do ventre,
e dos orgasmos
no meio da multidão?

É um faço ou não faço
criando papéis ornados
do mais intenso tesão...

E o que posso mais dizer, então?

:)  Ah! é muito pouco
ter os bicos rosados na palma da mão!


(José Carlos Sant Anna)


4 comentários:

  1. Poema bem escrito, gostei.
    A carruagem da foto devia ser a Ferrari da época.

    =)

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  2. A primeira coisa que me ocorreu ao ver a carruagem, foi o magnífico Museu dos Coches em Lisboa. A seguir fiquei a pensar como até uma carruagem pode servir de inspiração!...:-)
    Quando a chaleira ferve ninguém tem tempo de perguntar- se é amor ou sedução, e de facto, serão muito pouco "os bicos rosados na palma da mão".
    Fiquei a imaginar como tudo seria ( e tanto, tantas vezes se passou!), dentro de uma carruagem com todas aqueles vestes e por vezes, uma multidão à volta!
    Excelente, Zé Carlos!
    xx

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  3. epa... orgasmos no meio da multidão? Que assanhamento é esse?! Só se a carruagem tiver cortinas para que ninguém possa espreitar! ahaha
    Beijos

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  4. Essa impetuosidade sempre existiu e sempre existirá... Só que hoje, sem o principal ingrediente, o romantismo.
    Doce poema.
    Beijos, José Carlos!!!

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