quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A Ilha

O desafio é a ilha

adormeço 
sem saber o nada

e a respiração que ouço de mim
é um círculo vazio
- efêmero pulsar

que a boca na espessura das sílabas
balbucia firme quando tudo passa

Imóvel folha como se não fosse

espiral e branca

a ilha
iminência vaporosa
flutua

não há outro ruído de vozes
como se ali não as houvesse

cintilante prodígio que se esvai
suavemente persistindo

mas não a alcanço com os meus braços

dissipo o meu ócio

a ilha

modela as figuras 
uma a uma
no tapete invisível resplandecem

sopro as palavras sobre um abismo
que as recolhe nervos e ossos
e na limpidez 
desaparecem vazias

arfando, olhar de lobo, exausto,
dissolvo as minhas tensões nos maxilares

depois, polido, estendo-lhe as mãos. 

(José Carlos Sant Anna)


7 comentários:

  1. As ilhas estão rodeadas de água, e, por vezes, parece k não há, k não temos saída, mas nessa sua "Ilha", e embora, por vezes, existam palavras difíceis de engolir, e depois deglutir, olha que bem insalivadas, bem remexidas pela língua e trituradas pelos dentes, se forma na boca um fabuloso e saboroso bolo, que te vai alimentar, desanuviar e aliviar. Ora, experimente, José Carlos!

    Vê como o tal bolo, que te embaçava passou, e lá foi ele faringe, laringe abaixo e qdo chegou ao estômago, e em vez de receber o suco gástrico, abriu os maxilares e quis suco de coco e frutas tropicais, exigindo como condimento batom carmim. Onde é k já se viu, coisa assim?

    Olhar de lobo, arfando, exausto, pois, pke viu algo semelhante ao Capuchinho Vermelho. Pronto, logo que a menina o acariciou e o olhou com ternura, você polida e apaixonadamente, lhe estendeu sua mão. Estou imaginando a imagem, k até gostava, confesso, de ser ela.

    Diferente do k você costuma escrever, embora a temática, esteja meia escondida e subjacente, está lindo de se ler. Apesar de tudo, sua "Ilha" se rendeu, como não poderia deixar de ser. Gostei e fiz com k você tb deixasse de ser "lobo" pra se tornar num "pássaro", com eira e beira.

    Uma noite de bons sonhos.

    Beijos.

    ResponderExcluir
  2. Ah, não pode ser! Meu comentário não está aqui. Será k o "lobo" o devorou?
    Vamos pensar k José Carlos, ontem à noite, se entreteve com a menina do Capuchinho Vermelho, cheirando ela, pegando nela e "comendo" ela com beijos. Desse jeito, eu fui esquecida e preterida. Que "injustiça"!
    Não quero interromper tamanho "manjar". Volto mais tarde, querido José Carlos!
    Beijos, se ainda tiver disponibilidade em receber mais alguns.

    ResponderExcluir
  3. Olá, José Carlos!

    Tudo bem, ou quase tudo?
    Hoje, tive um dia bem atarefado, inclusive com uma ida de rotina ao hospital, k já estava agendada há algum tempo, mas meu médico adora conversar e se esquece das horas. Enfim, cheguei ao meu aconchego, respirei fundo, tomei duche e já me sinto outra.
    Quero falar um pouquinho com você, como se estivéssemos, lado a lado, assim, avulso, melhor dizendo. Tenho tempo, não tenho hora, já jantei, glicose sob controle e me apetece sentar na carpete e ir no arrasto das palavras, mesmo k não diga nada de importante. Agora, por palavras, eu sei k meu poema, o do blog, já está gasto, estafado, apertado, virado e revirado, mas não tenho tido grande inspiração pra escrever, ou melhor, fiz, esbocei no fim de semana anterior um longo poema, com destinatário "indireto", que, um dia desses postarei, mas depois me pus pensando k era jogar "pérolas a porcos" e parei. José Carlos me olha e ainda não disse palavra, nem uma.
    Ontem, comecei a escrever um outro, cujo tema, ainda não sei qual é. Ando "enrolada" com as palavras, e nem ato, nem desato. Erudição é "coisa" k não tenho, nem sei, assim, tenho de escrever coisas do cotidiano.

    Sentiu e viu minhas pegadas lá na sua "Ilha". Pois, verdade. Passei por lá, ontem à noite, mas como a gente não se encontrou, pensei k você estivesse conversando com a menina de Chapeuzinho Vermelho, e lógico k ela lhe falou de sua adorada avozinha, k deve ter uns 80 e tal anos, portanto, o dobro da sua idade, por isso entendo sua admiração e respeito por ela, só isso.

    Bem, vou falar com as palavras pra ver se a gente se entende, minimamente, mas acho k, ainda não será hoje.

    Uma noite bem feliz, sonhando com o poder estranho, místico, devorador e quase alienador das palavras.

    Te abraço.

    ResponderExcluir
  4. Hoje, vou escrever, apenas, Português de Portugal, Dr. José Carlos Bastos Sant Anna!

    Que nada! Você não iria "entender" mesmo!
    Verdade. Falamos muito. Mas onde é k está escrito k eu quero ter uma conversa especial com você? Já li suas e minhas conversas no seu e no meu blog e não encontrei nada, não. Está bom demais, desse jeito, é? Então, temos de pôr um pouquinho bom de menos, pke os excessos fazem mal, né?

    Então, tá pensando se mudar pra "terrinha". Vixe Maria! Chamando (de) terrinha a Portugal! Bem, se compararmos com seu gigantão, nós somos uma molécula ou átomo geográfico, nem sei, mas o k é pequenino se acondiciona e se gere melhor. Então, e sua família?

    Você esteve cá o ano passado, por altura do passamento (não sabia o k significava passamento. Agora, já sei k é falecimento) de Vasco Graça Moura, um grande intelectual português, é verdade, nascido no norte do meu país. Nunca fui mto "com a cara dele", pke acho k foi daquelas pessoas, k pensou sempre k a razão estava do lado dele. Era contra o AO e mtos foram os debates, onde participou sobre o tema. Era uma pessoa polémica, a meu ver.
    Se casou três vezes, a 2ª mulher era filha de Miguel Torga e viveu com uma quarta mulher, uma intelectual, tb, até ao final dos seus dias. Tem quatro filhos, dois rapazes, duas raparigas (moças, pronto).

    Portugal se divide em três partes, por assim dizer: o Norte, o Centro e o Sul. Se diz, com conotação negativa, sem dúvida, k o Norte (Porto-cidade) trabalha, o Centro (Coimbra-cidade) estuda, tem lá a principal Universidade, e o Sul (Lisboa-cidade) se diverte.
    Enfim, a afirmação vale o k vale. Intelectuais e políticos do Norte de Portugal afirmam perante as câmaras de televisão, k nós, os do sul, somos Árabes, Magrebinos, sulistas e elitistas. Se pensam k estão a ofender-nos, não estão, pke, na realidade foram mtos os séculos de ocupação muçulmana, sobretudo no meu Alentejo e Algarve, onde deixaram um legado fabuloso. Qto ao elitismo, a mim, me "assenta k nem uma luva". Sou seletiva e pouca coisa ou gente me agrada.
    Eles têm razão: eu não me identifico, nem um pouco, com as pessoas do Norte, em geral.

    25 de Abril? Fica a meio do 24 e do 26. É isso, né?

    Raramente sonho, dormindo. Sonho, bem mais, acordada. Pode fazer parte do cortejo de meus anjos, pode sim.

    Abraço a noite inteira? Ai, eu sofro de "claustrofobia". Tenho de consultar o Psicólogo, antes, e eu até conheço um tãoooooooooooooooo lindo, ou melhor, tão competente, era o k eu pretendia dizer (risos).

    Um dia maravilhoso, de preferência, com "anjas" de carne e osso, e já agora, pescoço, tb.

    Estou soprando um beijo pra você, com minha mão, por eu "claustrofóbica".

    ResponderExcluir
  5. Ah, qdo eu afirmo k quero falar um pouquinho com você, me sentando na carpete, é o mesmo k dizer k estou numa de relax, bem à v vontade, sem pensar em gramática nem em postura (claro k alguma/muita, terei, pke sou alentejana e virginiana).

    Fique bem e feliz!

    ResponderExcluir
  6. Retificando: no penúltimo comentário e na última linha deve ler-se: por eu ser "claustrofóbica".
    Até já!

    ResponderExcluir
  7. ..no silêncio,
    o silêncio fechado,
    recolhido e morno
    que a pele habita.


    saudades

    ResponderExcluir