quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A Ilha

O desafio é a ilha

adormeço 
sem saber o nada

e a respiração que ouço de mim
é um círculo vazio
- efêmero pulsar

que a boca na espessura das sílabas
balbucia firme quando tudo passa

Imóvel folha como se não fosse

espiral e branca

a ilha
iminência vaporosa
flutua

não há outro ruído de vozes
como se ali não as houvesse

cintilante prodígio que se esvai
suavemente persistindo

mas não a alcanço com os meus braços

dissipo o meu ócio

a ilha

modela as figuras 
uma a uma
no tapete invisível resplandecem

sopro as palavras sobre um abismo
que as recolhe nervos e ossos
e na limpidez 
desaparecem vazias

arfando, olhar de lobo, exausto,
dissolvo as minhas tensões nos maxilares

depois, polido, estendo-lhe as mãos. 

(José Carlos Sant Anna)