segunda-feira, 27 de julho de 2015

Escrevo

Brooke Shaden

hoje escrevo rasgando 
páginas da memória 
dessa árvore

e sem fatigar-me com tamanha lida
procuro a fugidia voz
da nascente

os dóceis animais silvestres
o outono pintado de azul
no alpendre da casa

a faixa de pedestre 
[descongestionada para os teus pés]

uma música urgente 
e palavras cansadas na folha nua 
sobre a mesa da cozinha

escrevo para não esquecer
o muito que te pedi:
essa manhã de água sob as palmeiras 

uma secreta lua,

ou simplesmente que subisses comigo
ruidosa
sem confundirmos os passos

e que, no mais fundo do teu ser,
sentisses o sol nupcial
da minha língua 

ondulando em tua vulva. 

(José Carlos Sant Anna)





7 comentários:

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  5. Que poema lindo e sensual!
    A vida é puara sensualidade, sem enganos!
    BRAVO,amigo!
    Bjos e uma semana de luz!
    http://www.elianedelacerda.com

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  6. Escreveste em presente de ontem como se o passeio não te bastasse.

    Fui-me perdendo nesse vendaval de palavras que se vão soltando, fluindo em ritmos ternos.

    Um poema para gritar ao mundo.

    beijo

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