segunda-feira, 27 de julho de 2015

Escrevo

Brooke Shaden

hoje escrevo rasgando 
páginas da memória 
dessa árvore

e sem fatigar-me com tamanha lida
procuro a fugidia voz
da nascente

os dóceis animais silvestres
o outono pintado de azul
no alpendre da casa

a faixa de pedestre 
[descongestionada para os teus pés]

uma música urgente 
e palavras cansadas na folha nua 
sobre a mesa da cozinha

escrevo para não esquecer
o muito que te pedi:
essa manhã de água sob as palmeiras 

uma secreta lua,

ou simplesmente que subisses comigo
ruidosa
sem confundirmos os passos

e que, no mais fundo do teu ser,
sentisses o sol nupcial
da minha língua 

ondulando em tua vulva. 

(José Carlos Sant Anna)