terça-feira, 11 de novembro de 2014

Utopias



I
É inútil fingir      se acaso
as amêndoas nas minhas mãos fossem
sílabas catadas no chão do teu corpo
não estaria eu agora
limpando 
os meus óculos com a bainha da camisa

III
Tão súbito verso 
 e o uivo agudo 
do clarim 
para iluminar 
o breu. 

IV
Que venham
as vinhas
os devaneios

ao sabê-lo 
um veio,
não o parto 
ao meio 


(José Carlos Sant Anna)
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9 comentários:

  1. I- Claro, se fosse assim, ao invés de limpar os óculos, você estaria fazendo algo bem mais agradável...

    II- O tão desejado verso a iluminar a escuridão do vazio...

    III- Que venham todas as coisas boas...

    Querido José Carlos, beijos!

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  2. Seria inútil fingir se as sílabas fossem desse corpo; não haveria erro de percepção nem a necessidade de limpar os óculos...:-) As sílabas gritariam iluminando o óbvio. Mas todos os devaneios têm em nós a sua própria realidade e urgência, e como tal devem manter-se unos e indivisíveis.
    Excelente, José Carlos!
    xx

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  3. Variadas são as formas de passar emoções partidas em versos e quem não as sabe fazer se detém em reflexões silenciosas.
    Que venha toda inspiração para saber-se ler no escuro,JCarlos
    Toda a admiração ,
    com abraços

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  4. No acaso de 'ses' fantasiados, brilham os óculos vaidosos no esmero e cuidado.

    Que as amêndoas se percam em sílabas sobre peles nuas,
    que a luz te banhe no som agudo,
    que devaneios em vinhas de poeta levantem voo e se percam no oceano da utopia.

    Uma delicia, a leitura.

    Beijo, José!

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  5. Boa noite, José Carlos
    Tantos "ses"...
    Mas as amêndoas não são sílabas, e óculos limpos na bainha de camisa nunca permitem uma visão nítida, amigo.
    Que os devaneios, esses sim, imperem e se materializem.
    abç amg

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  6. Gostei imenso deste "devanear", desta habilidade com as palavras, José Carlos.
    Bjo :)

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  7. Imagens poéticas absolutamente deliciosas, versos que já trazem sua marca!
    Beijos, Zé Carlos

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