quarta-feira, 2 de julho de 2014

A copa, o copo e a bola



Ainda não descobri
o meu chão diz-me Tão Preto ,
procurando um pretexto 
para dialogar
sobre qualquer coisa 
em tempos de alienação 
coletiva 
reinante nas arenas,
fan fests, mídias e outras praças
espalhadas pelo país.

E, por óbvio, termina na copa
erguendo um copo
e um grito "vamos, Brasil!"

Ignoro o discurso 
porque meus olhos e ouvidos 
se recusam 
a saudar o verde e o amarelo; 
os olhos e ouvidos 
não recusam, porém,
um arco maior de cores 
para entregar o seu coração
e reconhecem na bola 
que rola 
pela grama 
a ternura de um abraço 
irmanando a todos 
num único eixo. 

A bola redonda como a terra, 
no centro,  
sustentando a todos,
é um pássaro cheio de vento. 

(José Carlos Sant Anna) 

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4 comentários:

  1. Tão Preto no seu puxar de conversa revela um sentimento comum a pessoas com a sabedoria da vida como prémio.

    Enfeitiçaste a bola e, num repente, parece-me mais belo, com maior sentido.

    O colorido é bom, mas o amarelo e verde fica bem na tez despida das gentes quentes do além mar.

    Como ficar indiferente a um evento à escala mundial no próprio país?

    Dispensando a politica, apenas ressalvo a importância do Brasil ter tudo para ser uma grande potência económica e ter palavra no mundo.

    Por fim, fizeste-me lembrar a Amazônia e reportagens que tenho visto à cerca da região.
    Um sonho meu de viagem...

    beijinhos

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  2. A bola rola, irmanando todos num torpor fraterno, porém, quando essa bola, pássaro de vento, murchar, o povo se precipitará de cara na realidade...
    Gostei, José Carlos!
    Beijo!

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  3. Sempre terno e verdadeiro seu poetar , José Carlos . Gostei muito , como sempre . Beijos .

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