domingo, 16 de fevereiro de 2014

Soneto imperfeito






O palimpsesto, o sorriso de Mona Lisa,
os bemóis de todas as vivências,
as caras cinzentas num salão de modas,
o fígado encrespado sem os alcoóis

e as fotografias velhas no álbum de família.
Com olhos de espanto gosto de galopá-los
sem ânsias, sem fúrias, sem tristezas.
São os velhos ossos do meu corpo físico,

são um antigo vento que me parte ao meio.
Me sangra, me despedaça, me encoraja;
sem alarde fincam a unha no meu rosto,

minam dentro de mim a rosa-dos-ventos
da partitura anódina e das monções
ao ouvir o jazz atravessando suas paredes. 

(José Carlos Sant Anna)

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15 comentários:

  1. Este soneto tem como maior imperfeição, a perfeição - ficou como um soneto quer estar, e quando assim é, reata apenas lê-lo.
    Bom Domingo. abraço.

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  2. Fantástico isso: a perfeição das imperfeições, como creio que seja. A inteireza de se ver aos pedaços. E o improviso eterno que concebe o jazz: perfeito, José Carlos. O poeta não erra nas emoções e sensações nunca: adoro te ler!
    beijos,

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  3. se fosse perfeito não seria tão extraordinário



    abraço

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  4. Bom dia José Carlos.
    Gosto muito de ler as suas escritas, estava aguardando a sua nova postagem,demorou dessa fez , não? rsrs. Quem bom foi ler o seu soneto, imperfeito? Imagine o que é perfeito para você.
    Uma linda semana.
    Beijos.

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  5. Estava lendo e pensando como a poesia tem o poder de recapitular e chamar de volta aqueles 'monstrinhos' que guardamos escondidos . Tipo um ' antigo vento que me parte ao meio'...
    E bom é quando vem um mago e 'sem alarde sangra despedaça encoraja' e a rocha começa a deitar palavras,
    que 'soneto perfeito' ! Carlos
    obrigada pelas 'dúvidas aquilinas ' _ que venham mais voos ,para o nosso deleite,
    abraços

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  6. Lindo ! Lindo !Lindo ! Obrigada . Beijos

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  7. Nossa, um belo e maravilhoso poema, um soneto, coisa que quase não se vê mais!

    Gostei muito, José Carlos!

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  8. Os fantasmas que assombram...se nós deixarmos.

    O corpo pode ter idade, mas a mente...Ah! Essa! É intemporal, irreverente e recomenda-se.

    Que novos sorrisos, bemóis e ossos recalcificados transformem o ser único que és tu.

    Beijo

    P.S. soneto intenso, hein?

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  9. Meus aplausos!
    Quanta modéstia, és maestro...

    Beijo, caríssimo poeta.


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  10. Olá José.
    Passando para lhe agradecer,pelo seu apoio.
    E lhe desejando uma linda noite.
    Beijos.

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  11. a brisa açoita o espinheiro para que o espinheiro não ignore a brisa!

    beijo, admirado poeta!!

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  12. Bom dia José.
    Respondi ao seu comentário no blog, fiquei feliz em contar com a sua presença .
    Um lindo e abençoado final de semana.
    Beijos.

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  13. Olhares que são balanço a meio da viagem.

    Abraço

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  14. Ah, a forma é tremendamente sedutora!

    Abraço

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  15. todas as idades e tempos nos visitam e alvoroçam nossos sentidos!

    Beijos, poeta

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