segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O amanhecer


Na chaleira o chamego
esquenta o fogão de lenha
no quintal suspenso

e espalha no corpo um gosto
de maçã verde e jiló,
roçados ao pé da escada.

E nos prenúncios de um café
depois de cálidos
aconchegos na cozinha

apalpo nela a ternura
e a minha colher de madeira
dá-lhe uma leve palmada

na cumeeira para sentir-lhe
ao redor da mesa a forma 
ainda com a lamparina acesa.

E já sem fundir os corpos mornos
naquele chão encerado de suor
beijo suas mãos umedecidas

e o alho trava o hálito
da vida pelas picadas afora
nas contas de um rosário. 

(José Carlos Sant Anna)



Visite o blog da Quarteto Editora

Meu outro blog






14 comentários:

  1. Um amanhecer que há na memória, com cheiro de ontem e saudades...Você está expert na poesia da manhã, da tarde e certamente da noite...
    Beijos,

    ResponderExcluir
  2. Como vovó já dizia:
    " A fome é o melhor tempero. "

    Beijo, caríssimo poeta de mão cheia!

    ResponderExcluir
  3. Belíssimo amanhecer , José Carlos . Obrigada por partilhar . Beijos

    ResponderExcluir
  4. É tão intenso e simples o modo como se expressa, abrasa meu ser .
    Bom dia, meu caro.
    Abraço.

    ResponderExcluir
  5. Teu poema é uma delícia!
    O Iluminações não era para se repetir daquele jeito - repetiu-se porque quis, não queria, mas não houve jeito de apagar os cinco. Tentei até destruir o Inscrições, mas não deu. Enfim, vc sabe como destruir um blog? Se souber, me avisa, tá?

    Beijo e obrigada por essa boa vontade...

    ResponderExcluir
  6. Um amanhecer terno, morno, quase dá vontade de comer, se comestível fosse.
    Uma tentação que nos faz voar em asas queimadas no lume do café.

    beijinhos

    ResponderExcluir
  7. Bom dia Jose Carlos.
    Tem amanhecer que é mesmo apetitoso,a gente que saborear cada momento.
    A sua linda poesia me fez lembrar o tempo antigo,quando o café era feito dessa forma,confesso ainda tenho saudade de café feito no fogão,acho mais saboroso.
    Uma linda quarta-feira.
    Abraços.

    ResponderExcluir
  8. Que lindo, menino! Fogão à lenha, aconchego, tudo de bom. Amei!
    José Carlos, beijos!

    ResponderExcluir
  9. ágeis dedos, tramando o futuro das letras...

    teu poema é uma carícia na pele...

    beijos, poeta admirado!

    ResponderExcluir
  10. José Carlos, voltei para tomar esse café, que continua deliciosamente quentinho nesse fogão...
    Abraço!!!

    ResponderExcluir
  11. [tudo lento se faz.
    no todo tem-se a paz]

    beij0

    ResponderExcluir
  12. Aconchego, cumplicidade, hálito quente...
    Assim a vida faz sentido.
    Tão envolvente, José Carlos!

    Abraço

    ResponderExcluir
  13. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir