quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O que eu sei da tarde e não digo?


Põr-do-sol em Porto Covo, litoral português

A tarde se esvai 
silente.

Vejo-a descendo as escadas
pé ante pé
como se eu não estivesse
em sua retaguarda
sem aspiração e sem rumo.

Antes do último passo,
ela olha para trás
e suspende um alpendre
a separar-nos.

É dissolvente o seu olhar.

Devorada,
este inquilino da noite
volta-se para a sua harpa
e as primeiras notas
sulcam o horizonte.

Nada mais
me prende às suas garras.

É uma toalha de névoa,
uma água entornada
com manchas de vermelho.

(José Carlos Sant Anna)

14 comentários:

  1. Boa tarde José Carlos.
    A tarde rsrs.
    Pela manha eu digo bom dia Deus.
    A noite eu agradeço pelo meu dia.
    E a tarde eu digo nada,a postagem me fez perceber que mesmo eu não dado a devida importância a tarde,ela tem grande importância na minha vida rsrs.
    Lindo poema.
    Uma linda tarde rsrs.
    Abraços.

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  2. Que seria se dissesses???

    Entrelacei-me nesta toalha de névoa onde limpei as lágrimas,
    bebi da água entornada onde me saciei.

    Como o litoral Alentejano inspira!

    Beijos natalícios.

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  3. [harpa.
    O ouvido gosta,
    o coração sente dor
    água entornada
    -pura emoçao]


    beij0

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  4. tanta coisa se guarda e arde: é tarde



    abraço

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  5. o silêncio sabendo, já é de bom tamanho,né?

    beijo, poeta admirado!

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  6. Uma tarde digna de nota, não é?
    Um poema muito lindo, bom demais de ler.

    Um Natal muito feliz pra vc e muita alegria!
    Beijo

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  7. Que beleza, José Carlos! Eu amo a tarde. Já persegui o instante fugaz onde a tarde cede o bastão à noite. É algo mágico, não dá para enxergar esse instante. Acho que nunca li algo tão belo sobre a tarde. Sim, seu olhar é sempre muito especial.
    Beijos,

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  8. Muitas vezes não sabemos o que fazer dessas tardinhas, Carlos.
    Sabemos sim apreciá-las enquanto não se 'esvai'...Lindo isso!
    Obrigada pelo prazer em te conhecer por aqui nesse finalzinho de ano _ gosto dos poetas e se os tenho a um click é emocionante. rs
    Passo pra deixar um carinho a todos os amigos, mas ainda não voltei pra ficar.
    Desejo que o Natal lhe traga mais harmonia em família e que 2014 venha cheio de graça e beleza. Um bom inverno( de verdade , já dei várias olhadelas por aqui e não descobri sua cidade seu País rsrs) por tudo que leio penso que estás do outro lado do oceano.Que sejam águas transbordantes e que a amizade floresça ,mesmo distantes.
    Feliz Natal e abraços.

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  9. José Carlos , sua escrita perfeita sempre a nos enfeitiçar . Agradeço . Aproveito para lhe desejar um Natal abençoado junto dos seus . Paz , saúde e alegrias no 2014 que se aproxima . Beijos

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  10. Muito lindo que está este teu poema,super me encantei e adorei ler. Venho aqui desejar-te boas festas,espero que tenhas um bom natal e tambem uma excelente passagem de ano,tudo de bom para ti!! Muitos beijinhos,fica com deus e até breve!!

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  11. Bom dia José.
    Vim lhe desejar um lindo natal
    Que o espírito natalino traga aos nossos corações a fé inabalável dos que acreditam em um novo tempo de paz e amor.
    Boas Festas.

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  12. Muito foda! E massa que você escreveu o que o silêncio imperou.

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  13. Olá amigo!
    Ah! Porto Covo...que recordações tenho...e como a foto e o poema me fizeram rever um filme antigo!
    Festas felizes e fartas! Um ano novo em plenitude!
    M. Emília

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  14. "É uma toalha de névoa,
    uma água entornada
    com manchas de vermelho."

    Belíssima imagem, lindo poema. Quando eu digo que você deveria publicar um livro... Um feliz 2014, José Carlos, com saúde, paz, vida e arte!

    Um grande abraço,
    Lidi.

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