domingo, 17 de novembro de 2013

Sob o meu nariz


Para Gustavo Neiva Cumming, 
menino de coração de ouro



naquele solo
o trompete é uma água tão pura
ninguém entrou nele

mas há marcas de sapatos alheios
e o impasse da geografia exilada
é o fracasso do gozo 

que mastiga
o fôlego do feijão tropeiro

aquele solo 
onde o tráfico rola
é a ruína da língua, um tiro no peito

mas não fui eu quem pôs arma ali
e se ninguém morreu   
é porque

há muitas vidas no zelo da droga
nas ruas que vigiam por ela.

Aquele solo 
é o estilete da fuga

[o trompete insinua outro solo]

liminar para a morte sem medo

e o absurdo desce as escadas 
do morro a galope,

desdenha dos vivos à parte, 
sobrevivendo à própria sorte. 

(José Carlos Sant Anna)




9 comentários:

  1. Eu vislumbrei uma aurora sob as pálpebras da noite, ao som agudo do trompete!

    Saudades de te ler!

    Beijos,

    ResponderExcluir
  2. Naquele solo
    Não há flor
    Que se cheire?

    ....

    Beijo, caríssimo!

    Observação: Tá sumidinho...

    ResponderExcluir
  3. há tanto em torno da letra... eis um passeio infinito!

    beijo,poeta admirado!

    ResponderExcluir
  4. Como disse outro poeta: somos como o 'homem de ferro , a construir o próprio abismo.
    Suas construções são magnificas Carlos
    bons dias e belas inspirações
    abraço

    ResponderExcluir
  5. Muito bom! Boa sorte!

    Visitando,

    Saudações!

    ResponderExcluir
  6. Senti um ar pesado, poderoso e algo íntimo.

    beijos

    ResponderExcluir
  7. aquele solo é canto, recanto, chão mourisco



    abraço

    ResponderExcluir
  8. Há tanto acontecendo nesse solo ao som distante de um trompete.
    Como sempre genial.

    Beijinhos, querido e bons sonhos.

    ResponderExcluir
  9. Voltei a este solo escuro. pesado que força o olhar.

    O teu olhar impotente transmite essa realidade por onde milhões se passeiam e vivem em ilusões efémeras.

    Que o Sol raie por ai e torne límpido esse solo...

    Beijo

    ResponderExcluir