quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Prece para os teus olhos








Sem a febre dos teus lábios
nas manhãs prolongadas do outono
a vida respira

Aos poucos
cavo sulcos num rio de manguezais

As palavras sobem à roda das margens 
e as dunas são um frágil lenço ao vento

como se não houvesse um corpo distendido

E por mais amargo que fosse o chá
era o pouco que eu tinha sem a tua febre

E só um baiãozinho,
animaria este corpo selvagem

E nada mais poderia tardar a nostalgia 
das paredes nuas se os teus olhos 
não me encharcassem com a tua incandescência

Eu sempre tive a certeza disso. 

(José Carlos Sant Anna)

11 comentários:

  1. Uma inspiração provocante, anunciando a dor da ausência inexplicada ou obrigada à revelia. Quase uma súplica.Lindo e terno, na medida.Abraço carinhoso do mais novo leitor e seguidor de seu blog.:-BYJOTAN.

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  2. Uma bela prece para olhos ausentes.".. se os teus olhos
    não me encharcassem com a tua incandescência." José Carlos, você é um mestre da lira...aprendo muito te lendo.

    Beijos,

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  3. Gosto sempre dos textos que vc escreve. Esse, especialmente, é coisa de arrebatar.

    Beijo pra vc!

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  4. O calor de um chá nos lábios a despertar boas senções... agora quando me sentar sózinha a tomar um chá vou explorar o momento...
    ...muito, muito inspirador...
    Bjs

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  5. Parecem-me mais certezas do que pedidos.

    Beijo

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  6. Que os deuses digam além...

    Certo que tu és um baita escritor.

    Beijo, caríssimo!

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  7. José Carlos, você que escreve com uma beleza comovente. Belo demais o seu poema. Sou super admiradora dos seus escritos. Um grande abraço.

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  8. seja qual for a imagem, os olhos são excelentes (ad)oradores!!

    Belíssima lira, poema admirado!!
    Beijos!

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  9. Mas, José Carlos, não tenho palavras de tão belo que está esse poema...Gostei muito! Bom final de semana!!!

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