quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Por onde anda Felisberta?




Pus à parte as palavras:
cinzentas de um lado, claras do outro,
escrevendo-as sempre com as pontas dos dedos

[sem esquecer Berta
que era pura brancura
no nome, no desejo e no corpo]

com uma tinta branca no meu corpo
para a alegria de Felisberta
a professora que encheu os
meus olhos de lança-perfume
e depois me tomou nos braços
escavando o meu corpo
como se fosse uma página aberta
da minha escrita

num corpo a corpo de água
fazendo-me esquecer aquela 
queimação nos olhos para 
entregar-me à outra em que ela me iniciava
sem esclarecer o abismo 
das minhas mãos em busca 
do seu corpo, do seu rosto
e dos dentes das letras na sua boca 
de mil bocas sede ardente me engolindo.

(José Carlos Sant Anna) 

16 comentários:

  1. Poema e memória, e essa boa sensação de quem presenciou uma história vivida. Você é poeta querido, que me acrescenta muito quando o leio. Fã! Fãzíssima!!!!

    Beijos,

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  2. A Felisberta encheu os seus sonhos de menino...
    Abraço com amizade

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  3. Se é assim que vc escreve com as pontas dos dedos, escreva sempre assim!

    Beijo

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  4. feliz Berta que ganha mesuras e alumbramentos


    abraço

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    1. Poema foda, muito foda. E ainda vem o Assis com essa sacada. Abraço aos dois.

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  5. Feliz sede ardente que consome o poeta!!

    Maravilhoso texto, poeta querido!

    Beijos de fã!

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  6. [o mapa devia estar certo, tudo se encaixou direito]


    poema mais lindo!


    Beij0

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  7. Lindo! Não há nada mais perigoso que uma tocha acesa...

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  8. Gostei muito do blog.
    Belos poemas que vou lendo lendo e não me canso...
    parabéns

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  9. Feliz à beça por conhecer Felisberta.

    Beijo, caríssimo!

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  10. Muito bom, José Carlos. Sempre bom te ler.
    Abraços.

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  11. Berta, és uma dose de morfina?!
    Adorei o poema, e estou a seguir.
    Parabéns.

    Forte abraço.

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  12. Iniciação, aprendizagem, à laiva de tributo.
    Não vivemos sós, transportamos sempre connosco algo dos outros.
    (Gosto dessa pureza, desse ler em tons claros)

    Abração, José Carlos!

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  13. ah
    esta palavra aberta no corpo
    tatuada de paixão

    abs José Carlos

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  14. Parece que todo menino se apaixona pela professora, mas, essa Felisberta , hein? Belo poema, gostei , José Carlos. Beijos!!!

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  15. Uma delícia de poema, José Carlos.Na memória desse menino, Felisberta viverá para sempre.

    Beijinho.

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