sexta-feira, 27 de setembro de 2013

O sax vândalo



Na casa da memória há velhos ruídos
meio que adormecidos

[ainda tenho algum tempo, 
é o que me digo, para despertá-los]

Um clarão que dorme
em si mesmo, 
códigos secretos o guardam

jamais se saberá o que instiga 
esse hóspede,

membranas do tempo 
se tecem 
entre becos e vielas
enquanto estações e acasos 
habitam o meu tédio vagabundo

agora é hora de fazer o chá 
on-line das névoas;
descerrar histórias no limite do absurdo

[palavras que ondulem sem que 
se teça a sorte futura delas 
no frágil
abrigo dos meus olhos]

Rios e noites. 
Noites e rios costurados 
sem agulha e linha, 
bordados,
encobrindo os sonhos dos breves liames
com este sax vândalo. 

(José Carlos Sant Anna)


12 comentários:

  1. E no ritmo do sax, o poema surge e impõe a cadência.
    Abraço.

    ResponderExcluir
  2. O sax vândalo silencia o sândalo?

    Beijo, caríssimo!

    ResponderExcluir
  3. Caramba, que caminhos! José Carlos: mil véus rasgados e uma visão estreando, novinha, graças a um sax vândalo!

    beijossss

    ResponderExcluir
  4. ... e então ao som do sax o amor se torna favorável.


    lindo!

    abç

    ResponderExcluir

  5. ondulei em teus versos, neste labiríntico tempo, como deve ter percebido, uma temática recorrente em minha poética.
    ...membranas do tempo, quantas delas me (des)cobrem?!

    Lindo d+

    Abraços, poeta


    ResponderExcluir
  6. E o silêncio é música que borda a alma...

    Beijos, poeta admirado!

    ResponderExcluir
  7. Um sax atravessado no poema e na memória...Gostei muito, José Carlos! Beijão!

    ResponderExcluir
  8. na casa da memória soa o vento de certas canções impossíveis


    abraço

    ResponderExcluir
  9. Melodias adormecidas, adiadas, à espera que a hora chegue...
    Mas dão sinal de vida, José Carlos.

    Abraço

    ResponderExcluir
  10. Sax vândalo, um nome que já começa bem...

    Beijo, José Carlos

    ResponderExcluir
  11. O sax vândalo
    que ousa atravessar
    a espessa membrana
    do tempo...

    Um abraço!

    ResponderExcluir
  12. As vezes um esvoaçar de borboletas despoleta toda a sorte de lembranças.E esses momentos são pura poesia.

    Sempre fico maravilhada quando passo por aqui.

    Beijinho, querido e bons sonhos.

    ResponderExcluir