terça-feira, 3 de setembro de 2013

Metaplágio para a poesia de Adília Lopes


 Wassily Kandinsky - Improvisation, 27

                                (Dedicado à poeta Joelma B.)

Depois de ler a poesia
de Adília Lopes evito escrever
porque lendo-a na horizontal
vorazmente descubro que não sei
inventar coisa alguma de nada
não está na minha pele esta vocação
mas Adília me leva a escutar
as ondulações minuciosas
do biscoito maria
saboreando-o nas grutas
onde se escondem as cartas de Mariana
talvez escreva ainda
em torno das palavras os tumultos
que me causaram o teu nome
quando um relâmpago iluminou
o sopro desesperado
do teu olhar cúmplice mas havia
um rumor de água no telefone
e essa dilatação das minhas veias
somente cessou depois que as membranas
na limpidez da tua voz se acalmaram
ou a nudez do silêncio é ouvida
sem o cálice de Adília


7 comentários:


  1. O que a gente sente pulsar do lado de fora está do lado de dentro. Não reconhecemos o que não somos. E o poema fala lindamente desse falso não saber. Porque é maravilhoso o poema.

    Beijos, poeta!

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  2. o olhar cúmplice do poema bem sabe o que a gente vê!

    beijos, querido poeta! Sempre uma honra ter meu nome vinculado a tua lira!

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  3. depois do poema, preciso ler Adília Lopes com urgência




    abraço

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  4. Alô, alô!!!!

    Tô na escuta admirando....

    Beijos aos dois, meus estimados..

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  5. José Carlos, você disse que não tem vocação para inventar coisa alguma? Pois, brincou com as palavras e fez esse belíssimo poema . Gostei muito! Beijo!

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  6. Também sou fã de Adília Lopes, José Carlos. Apreciei os poemas dela que achei. E teu poema é digno dela.

    Beijo.

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  7. Não tem nem como não ir dar uma espiada na Adília Lopes depois desse...

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