quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Abolição

Flávia Junqueira



Ele só ficou sabendo
que hoje é o dia do sexo
ao entrar em casa
e encontrar as lingeries provocantes
e outros objetos eróticos
sobre a cama do casal e ela 
só ficou sabendo
que hoje é o dia do sexo
ao entrar num sex shop
com uma amiga e encontrar
o luminoso com o slogan
"todo dia é dia de sexo"
na entrada da loja
despertando ainda mais
o desejo de saciar o seu desejo
fazendo-a levar para casa
as lingeries provocantes
e outros objetos eróticos
para apimentar a relação do casal
que mais parecia um freezer
mais tarde depois do vinho
e um jantar à luz de velas
os corpos redobradamente 
riram de prazer
com a porta do quarto aberta
e a luz do abajur acesa
e enquanto os corpos
ainda se tocavam
um olhar cúmplice decidiu
abolir a agenda
onde estavam marcadas 
no calendário as datas 
das sessões de sexo do casal.

(José Carlos Sant Anna)


12 comentários:

  1. no enquanto, enquanto o olhar, oh quanto



    abraço

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  2. e todo dia vira noite...

    beijos, poeta querido!

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  3. Quanto se sabe, quanto se pode...
    Bem legal seu poema!

    Abraço grande.

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  4. Abolindo nos vamos libertando...
    (Mas há sempre uma abolição há nossa espera)

    Abraço

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  5. Quantos seres te habitam? Surpreende sempre duplamente: pela sensibilidade, pela qualidade da poesia e pela diversidade de olhares. Parabéns: arrasou!

    beijos,

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  6. Oi, José Carlos!

    Visualizei seu blog, a partir de um outro. Já reparei, que, tal como eu, tem dois blogs.

    Amei essa abolição, que não sendo de escravatura, foi de liberação da paixão e da loucura.

    Não há dias para o amor. Amor, pode ser, quando, duas pessoas querem.

    Sou portuguesa e escrevo poesia, em meus dois blogs. Meu Post mais recente, está no blog, "Luzes e Luares".

    Boa semana.

    Um beijo da Luz.

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  7. Certamente, o sexo não pode estar no calendário e sim, no "de repente"...Beijos, José Carlos!

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  8. Deve ser a tal Lei Ávida...

    Beijo, caríssimo!

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  9. Gostei demais desse poema-narrativo. Gosto de poemas assim e este está muito bom. Adorei o slogan luminoso, necessário para ela saber que era dia de sexo. Adorei as "lingeries provocantes
    e outros objetos eróticos", que foi preciso para ele saber que era dia de sexo. Adorei ainda mais o "olhar cúmplice", que decidiu abolir as datas, para o sexo, no calendário. Excelente, amigo José Carlos. Eu lhe admiro. Parabéns. Ah, e o título está perfeito. Abraços.

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