sábado, 24 de agosto de 2013

As palavras me conduzem pelas mãos



Aquele barco é quase uma lágrima perdida
invadindo o meu poema abruptamente,
é o dardo mais puro no alto do mastro.

A luz de uma lua ebúrnea o arco perdido
e o rumor da água sob o casco
no limiar da madrugada.

Em qualquer parte esquecida a ternura,
os remos, entre a memória e o olhar,
também deixam calos na mão.

E o poema como se eu tivesse fome
mostra seios fartos e mornos,
bolhas que se desmancham no ar.

E as palavras nuas nos corredores do barco
deixam sulcos e sombras ao largo,
pelos caminhos do mar.



7 comentários:

  1. Assim: teu poema me leva à fronteira que separa as palavras da não-palavra.

    Em qualquer parte esquecida a ternura,
    os remos, entre a memória e o olhar,
    também deixam calos na mão.

    Isso é lindo, isso é a poesia que me alenta a alma e que me inquieta também. Poeta. És e és. Grande.

    Beijos,

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  2. Navegar conjugando a respiração da pele com a da alma...
    José Carlos, que coisa linda!

    Abraço

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  3. Nossa! Lindíssimo!
    Eu destaco esta parte:


    E o poema como se eu tivesse fome
    mostra seios fartos e mornos,
    bolhas que se desmancham no ar.

    E as palavras nuas nos corredores do barco
    deixam sulcos e sombras ao largo,
    pelos caminhos do mar.

    São realmente lindas essas imagens!
    Eu vejo o poema como uma viagem solitária que alimenta o espirito, embora não cure as ausências!

    Beijos, querido poeta!

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  4. Há poemas que nos invadem, como este teu barco, as marcas do trabalho para alcançar, a ternura esquecida e a fome. Não tenho como comentar.As imagens são belas, o poema bem construído, me tocou.

    Abraços, poeta

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  5. Arrebatador, José Carlos!

    Abraço grande.

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