quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Abraça-me em jorro





                                                            Wassily Kandinsky - Fuga, 1914

Qualquer parte
é um todo
como se fora toda a vida.

Mas não vou deixá-la
sem água,
não vou separar
a luz do candeeiro. 

Não vou deixar
sinais das frutas
esmagadas
pelas mãos,

embora
elas também queiram
deixar sinais.

Vamos mordê-las
ainda que amassadas
sem perder a elegância

saboreando a polpa
macia
como uma paixão cega.

Para a moça menina,
nada diria
sobre espasmos
na ligeireza dos meus passos. 

Na paz do seu trote,
queria apenas
um seio amoroso
numa terra inocente.

E dão-me frutas amassadas
e uma efígie
que não posso dizer
que não aceito. 

8 comentários:

  1. "Um pedaço de espelho é sempre um espelho inteiro"...Clarice Lispector. E, no entanto, como é confortável vê-se num espelho grande! Um poema e tanto!!!!

    beijos, querido poeta!

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  2. Um conjunto de circunstâncias que prendem a gente, não se pode deixar de ler.
    Parabéns, José Carlos.

    Beijo pra você!

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  3. - Sim, um poema e tanto!

    As frutas, como as moças,
    descem felizes o abismo
    da garganta.

    (Dão graças
    por não terem
    de engolir
    ninguém.)

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  4. os versos só nos mostram as partes que nos cabem!!

    e o que vejo é tão lindo!

    beijo, poeta admirado!!

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  5. Tão garboso quão grandioso.

    Beijo, caríssimo!

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  6. Muito bom. Essa penúltima estrofe é encantadora. E outra, acho que você devera manter essa tipografia nos próximos poemas. Abraço.

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  7. Que loucura este salto da menina moça á efígie!
    Deleites de corpo-alma...

    Abraços, poeta

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