quarta-feira, 3 de julho de 2013

Vozes tatalantes no metrô




Os cavalos no espelho 
afloram a acidez 
de certas palavras

são palavras colhidas 
na hora de um trago noturno.

E todos sabem 
que um trago noturno 
é uma ode à solidão
emulando 
sentimentos trêmulos 
saídos do teu ventre.

Todos sabem 
que o analista 
não sabe contar histórias:

entretê-las não é o seu papel 
enquanto as dúvidas
descansam no divã 
e o sol 
se põe a olho nu pela janela!

Ainda que você chegue 
com o corpo apunhalado
o olhar dele 
é indiferente 
aos teus olhos verdes

ao excesso de beleza 
que exala 
do teu corpo esguio,
malhado, redondo

como uma Skol 
escorada 
entre recifes junto ao balcão.

Nada alivia 
esta sensação 
que não lhe diz nada!

Não há outra notícia 
para dar-lhe. 

– Traga-me  a conta! – dirijo-me ao garçom.

Depois que saio do bar 
ainda ouço vozes pastosas
pelo metrô 
que me leva de volta para casa! 


7 comentários:

  1. Bela poesia caro José Carlos, com uma pontinha bem doseada de nonsense.
    Abraço.

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  2. me fixei na imagem da tríade inicial, depois saudei em tragos as vozes, mas nada me devolveu a casa


    abraço

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  3. O passeio desviou-me do rumo, com certeza!!

    Beijos, poeta querido!

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  4. Um poema que não se pode ler uma vez só, porque transmite uma estranheza. Mas depois de duas leituras, faz todo sentido.
    Grande abraço, poeta!

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  5. Intimidade. Li teu poema com a intimidade de quem caminhou pelas mesmas ruas, bebeu um trago ao lado, silenciosamente, e depois nem voltou para a casa.

    Sim, maestria!

    Beijos,

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  6. traguemos estas vozes
    noturnas

    belíssimo poema
    abração

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