quinta-feira, 11 de julho de 2013

Esboço de leitura para o teu olhar fotográfico

Foto Cris de Souza

                                                                          (a Cris de Souza)


Já me espraiei
um dia
sangrando
quando eu tinha um corpo
cheio de seiva
enraizado na terra
e flexíveis palmas

O vento polia
minhas folhas verdejantes,
meus ramos,
braços que se estendiam
habitando o ar,
hastes mais longas
no mundo dos teus olhos

Se escrevo para dizer-me
é porque 
quero que saibas:
já fui um corpo
como nunca existira outro
neste refúgio

Hoje sombrio
perdi o desejo de alcançar a lua
mas ainda guardo o teu abraço
na minha memória.

(O poema nasceu da foto acima: um presente da Cris)

(José Carlos Sant Anna)

8 comentários:

  1. O ritmo e a harmonia são suaves e desenham bem a imagem que foi a origem do poema.
    Abraço caro amigo.

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  2. fotossíntese de olhares reaviva fuligem de clorofila!


    bela leitura, meu amigo poeta, para uma imagem que denota uma perspectiva de rara sensibilidade!

    Beijos aos dois!!

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  3. Orgulho para a fotógrafa, inspirar um poema desse, orgulho para o poeta, uma fotografia tão inspiradora. E, afinal, sou muito fã dos dois.

    Beijos,

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  4. Meu olhar se envaidece, sinto-me honrada!
    Tua leitura é admirável, teu poema tem corpo e alma.
    Obrigada pelo todo que me toca.

    Beijo, caríssimo.

    (Desculpe a demora, ontem estive fora da área de cobertura)



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  5. Sempre gosto dos poemas da Cris, ela tem um lindo talento.

    Beijo, Cris.

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  6. Espero que não tenha sido de todo raízes. Asas são essenciais.

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  7. Todos os abraços são seiva em nossa memória...

    Parabéns para ambos,

    Anna Amorim

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