quinta-feira, 18 de julho de 2013

Ella não é outra, mas Fitzgerald sim



foto: arquivo pessoal - Campos do Jordão



Roufenha mas afinada, impiedosa, Ella cantava no rádio do carro um dos hits dos meus pesadelos, apertando meu coração como se fosse uma laranja, quando as pernas de Fitzgerald, não sabendo para onde a sua dona iria na elegância mignon dos seus dotes, de um horizonte de um pouco mais de um metro e meio de maciez, desceram a rampa do condomínio nimbando as pedras portuguesas. Enquanto trazia à roda dos meus olhos o jornal, o portão se abria, como um regaço, e a cadela guardava, de cócoras, na solidão da pedra escura, nas margens nuas, por onde corria o portão, os despojos.

7 comentários:

  1. ella é singularmente fantástica, uma voz sobre-humana



    abraço

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  2. Tons in blues!

    Um bom fim de semana, poeta! Beijo!

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  3. Caramba, teu domínio na prosa ou na poesia é fantástico. Prosa...hum...quem é poeta faz poesia na prosa e no vento. Encantada, poeta, reverências!!!

    Beijos,

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  4. Sou fã de Ella. Mas talvez Fritzgerald se desvie de vez em quando...

    Beijo e obrigada pelos comentários, JC.

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  5. /quando ouço Ella/


    "O céu, para mim, era aquela cauda de puro brilho
    que atravessa o céu azul, aquela fusão fria além de toda cor".

    Marguerite Duras

    /quando ouço Ella/


    abç

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  6. ah! os dotes della

    passei a noite de sábado ouvindo o disco que ela gravou com músicas de Tom Jobim e Vinícius! Indescritível

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