quinta-feira, 25 de julho de 2013

Do pretexto ao exílio

Imagem capturada no Google



Este exílio
de relevo sinuoso
e graça de porcelana
é um sopro no breu

Esqueça
na imensidão dele
o acordo tácito de iluminá-lo
como a um desfolhado malmequer

pois, são instantes, 
os mais difíceis da rota do sol,
pedra sobre pedra – palavras ardidas,

pimentas crestadas e ardentes,

e, ainda por cima, esquivas,
rilhando os dentes...

Verruma de cipó 
desprendido da árvore

raízes dos meus cofres sem fundo,
supostas mesas fartas...

copos tilintando palavras contra o vento...

pois, são palavras 
que se movem entre os sargaços,

despontando pela superfície azulada
do espelho giratório 
                             dos meus poemas cansados

Palavras, palavras, palavras  que me despem 
e mostram os ponteiros ausentes do relógio
e dizem da minha ânsia encurralada...

percorro as sílabas  com um olhar cego
e emolduro esta ânsia silenciosa
já perto da tua boca.

(José Carlos Sant Anna) 

6 comentários:

  1. Belíssimas e ricas imagens, palavras peroladas, um olhar instigante-mente peculiar. Dos livros que terei um dia, quero acreditar:o teu!
    Beijos, querido!

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  2. tão poema
    que invade
    todos os súbitos



    abraço

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  3. são palavras que nos movem... desnudos dos silêncios!

    beijo, poeta querido!

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  4. teus poemas não me cansam...

    bom te ler!

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  5. Palavras, palavras, palavras que me despem
    e mostram os ponteiros ausentes do relógio
    e dizem da minha ânsia encurralada...

    Palavras que nos escrevem, mas não esgotam ânsia, os dentes rilhando, a boca espera.

    Teu poema me inspirou!

    Abraços, poeta

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