quarta-feira, 12 de junho de 2013

Poética à moda bukovsquiana


Wassily Kandinsky, Improvisation 27


Na noite, o bisturi
é o meu beco sem saída
a foice cortando a vírgula.

É no bar do Seo Vavá
a disputa pelo melhor lugar.

Na noite, o bisturi 
é a dicção do motor do Buick
soando simples, direta
arrebatada, 

                          idolatrada

salve, salve, 
senhor deus das mercearias,
das minhas putas e do meu futebol
todas as quartas e sextas!
Pernas, para que eu te quero?

Na noite, o bisturi 
é o punhal que arde
no verbo incessante

é o rastro da noite
dançando de mãos dadas
                      com Maiakovski

sem que outra mulher
lhe roube a cena, 

enquanto a lixeira
sem sinal de espanto
abre a boca
                        suavemente

para receber o preservativo
e o espaguete à bolonhesa
como as coisas 
                         
                       (mais importantes)

da noite sem papo cabeça.


6 comentários:

  1. Uma bela poesia, ácida, mordaz e bem dentro da estética bukosvsquiana.
    Abraço Caro José Carlos.

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  2. a boca aberta
    dos sentidos
    vomita entrelinhas

    (preferes 'regurgita'?)


    p.s: a moda bukovsquiana agrada-me tanto!

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  3. Gosto muito desse estilo bukosvsquiano.

    enquanto a lixeira
    sem sinal de espanto
    abre a boca
    suavemente

    para receber o preservativo
    e o espaguete à bolonhesa
    como as coisas

    (mais importantes)

    da noite sem papo cabeça.

    Perfeito! :-) Beijos

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  4. à moda e tão singular, como um prato que se refaz a cada dia e sempre tem sabor diferente


    abraço

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  5. Eis o banquete lírico!
    Como não se fartar?

    Da noite sem papo cabeça:
    O bicho papão
    Pode virar a mesa
    ...

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  6. Belo e mordaz, tudo ao mesmo tempo
    tudo pode acontecer...

    Abraço grande.

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