sexta-feira, 28 de junho de 2013

Ainda à moda bukovsquiana


Modelo da Roma imperial em seu auge, 
com destaque para o Circus Maximus e o Coliseu.




Das minhas mãos ávidas
nascia o possível,
mas ela 
              (eu não sabia)

se queria algo mais 
ainda sem tirar a roupa.

Não lhe disse sim,
mas puxei um cigarro
e da folha de tabaco
prosperou uma desilusão

que se desfez rapidamente
ao som de uma música
arrastada à flor da pele
do pescoço ao púbis.

Do seu espaço a cozinheira
sentia algo cortante,
além da cebola,
fazendo-a chorar
no divã de rainha da copa.

Mas o olho nu inventava
tudo pelo lado de fora
sem cobrir-lhe um véu.

E o Kama Sutra oferecia
aos pombinhos
clichês que o vento
não levou em cinemascope.

Agora o que lhe importa mais?
Gostaria de saber 
que o império romano
não se desfez 
                     num flash de soda?




quarta-feira, 26 de junho de 2013

Poeminha para o final da tarde



Ao entardecer, 
depois do banho, 
ela se sentou 
em frente 
ao portão, 
como 
antigamente, 
tomando sorvete 
enquanto 
aguardava 
a felicidade. 

Ela passou 
e a encontrou 
com as duas 
mãos 
ocupadas.


quinta-feira, 20 de junho de 2013

Bilhete para uma sombra





Escrevo hoje para dizer-lhe
ainda qualquer coisa
do pouco que resta 
da história que 
sublevou nossos afetos

foi tudo
tão diverso do sonhado

mas a lanterna acesa
é a palavra viajando
até as raízes do meu desalento

e a tua voz onde tudo é carência
é um olho frio
no lapso da noite devorando 
as miragens
erguidas pelos caminhos

resgato teu nome
nas brasas do meu cigarro
como se fosse um alento

e percebo que 
nas frestas das pedras
o ar ainda se move

a palavra,
quando me sonegaram o vinho,
não se dissipou,
submergiu inteiramente

que não seja essa
a pequenez da minha fala
entrecortada

aprisionada pelo muro da incerteza
usurpando os beirais 
da solidão

pois, no varal,
os lençóis são bandeiras
aonde ainda tremulam nossos sonhos.