sexta-feira, 24 de maio de 2013

Como se eu respirasse o teu corpo


como a tua babucha me excita
quando danças no meio da sala,
menina das pernas roliças!

quantas vezes! eu perdi a conta
e também o sono 
na malícia do teu sangue

porque nenhum elfo sabe
quando range o meu dorso
ou ruge o teu corpo

e na boca fechada com o dedo
me pedes para manter o segredo
entre os lençóis amassados

nenhum elfo sabe
quando a Ibéria de Albéniz eclipsa a noite,
ou Paco de Lucia encordoa a sua lira

enquanto juntos afogamos as canções
em contrações ritmadas

nenhum elfo esconde
quando a seiva sobe como um espumante
e nenhum  outro rumor abafa os gemidos

alcançando a pele que se arrepia
na ânsia da língua convulsa



8 comentários:

  1. Antes de descobri o que era babucha, estava pensando em algo tão sensual quanto o poema. Gostei do uso da palavra e da descoberta da palavra. Valeu por essa, José!

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  2. Muito bom! :-) Essa babucha atiça a imaginação e abre o poema de uma forma muito interessante. Agora já sei o que é babucha e, sabendo, o poema ficou maior. rs

    Beijos,

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  3. Um poema delicioso, José Carlos.

    Obrigada pela encomenda, devo receber breve.

    Abraço grande.

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  4. penso nos acordes em espiral, na dança convulsa do orbe, nos pulmões que se inflam, nas pequenas mortes que nos fazem existir


    abraço

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  5. Que bonito dançar com a babucha
    Gostei das palavras ,bonitas e perfeitas
    Visitei vc e já fiquei por aqui, gostei mesmo
    Deixo um abraço com carinho
    Bjuss
    Rita!!!!

    http://cantinhovirtualdarita.blogspot.com.br/

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  6. Uau, que fôlego! Deleite de lira...

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  7. Nem a música de Paco de Lucia está à altura desse respirar...

    Abraço

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