sexta-feira, 3 de maio de 2013

As luzes da cidade me encaram



ainda há pouco a golpes de machado
descerrei as luzes da cidade
e os orvalhos da ilusão

apagando a fachada do crepúsculo
que dançava no poente
pálidos raios de sol

não me culpo
um vestígio estremece na garganta
desterrando meias-palavras

no fundo aguardo
o deslinde do musgo que espera
a luz recair sobre a minha voz,

pois, ainda há pouco, todos sentiam
o silêncio de cada coisa no ar:
um alento diluviano distendido

uma sílaba escandida 
que sobrevivia,
diáfana, 

uma agulha asfixiada no palheiro
como um nada.

9 comentários:

  1. José Carlos,
    As palavras têm sempre eco. As suas, por exemplo, têm um enorme impacto em mim, embora me sinta ínfima partícula.
    É um enorme prazer lê-lo.

    Abraço

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  2. Eu fiquei pensando num desabamento que se teria dado no estreito caminho da garganta e de quantas palavras precisam ser tiradas dos escombros. Eu...viajei! rs E gosto muitíssimo do que escreves.

    Beijos,

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  3. Oi, José Carlos, "uma agulha asfixiada no palheiro" é uma imagem forte! Belo poema. Um grande abraço.

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  4. Muito bom, esse poema, José Carlos!

    Abraço grande.

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  5. "um vestígio estremece na garganta"

    Belos versos amigo poeta!

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