sexta-feira, 12 de abril de 2013

Suíte para uma pisciana numa indisfarçável baía






I
Acalenta, sim. 
Acalenta. 

Quando disfarço, 
é para dizer o contrário 
como se 
me arrancassem a língua, 

mas qualquer outra coisa 
que o diga 
poderia atrapalhar 
a separação do joio do trigo, 

e não seria para menos 
se o tanto  que te falei 
ou o tanto que te pedi 
não fizesse o vento 
tão peremptório 
atrapalhando 
a conjunção das borboletas. 

Mas estamos quites. 


II
As sereias  
nunca negaram a entranha 
que não ostentam. 

Despi-las,
sempre foi 
um estranhamento. 

Sempre foi  um nexo absurdo 
no mundo oblíquo dessas sacerdotisas. 


III
Além de ti, 
a última sentença que prolato, 
entretanto,  é minha discreta mão 
singrando o vento fosco 
e morrendo infinda  no limite 
da sua baía.

7 comentários:

  1. I
    As sereias
    nunca negaram a entranha
    que não ostentam.

    Despi-las,
    sempre foi
    um estranhamento.


    José Carlos: isso tudo é de um arrebatamento sem palavras; sua poesia já faz parte de mim; gosto muito, muito, muito...

    Beijos,

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  2. Um belíssimo conjunto de poemas, José Carlos.

    Abraço grande.

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  3. altíssima canção e com um título que me causa inveja, lira afiada



    abração

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  4. Belos versos! Inquietação e arrebatamento acalentados pela suavidade do poema final. Muito bonito.

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  5. De segredos feitos se preserva o poeta, ele ambiciona mais...

    Abraço

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  6. Suite Master! Tu és um poeta de mão cheia...

    (Curiosidade: sou pisciana)

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