domingo, 21 de abril de 2013

Primeiro esboço dos meus descuidos com o branco

Claudia Andujar



Tinge tornando o crepe
tecido sem timbre
impossível de descrever

o limão úmido sangrando
um excesso de beleza
trava a língua
o canto
e a iminência do escuro

reparti-lo 
nas palavras que procuro
os pilares do dia 
apunhalados

na primeira luz da manhã são 
rasgando 
precioso segredo
o meu descuido com o branco

a memória amorosa 
de outros corpos 
tateante  
pairando disfarçada entre 
os escombros da fumaça

os filamentos dourados
as réstias      os seios de perfil
as clepsidras mudas
a página final

vagarosas reminiscências
ah! elas não me fazem bem.



sexta-feira, 12 de abril de 2013

Suíte para uma pisciana numa indisfarçável baía






I
Acalenta, sim. 
Acalenta. 

Quando disfarço, 
é para dizer o contrário 
como se 
me arrancassem a língua, 

mas qualquer outra coisa 
que o diga 
poderia atrapalhar 
a separação do joio do trigo, 

e não seria para menos 
se o tanto  que te falei 
ou o tanto que te pedi 
não fizesse o vento 
tão peremptório 
atrapalhando 
a conjunção das borboletas. 

Mas estamos quites. 


II
As sereias  
nunca negaram a entranha 
que não ostentam. 

Despi-las,
sempre foi 
um estranhamento. 

Sempre foi  um nexo absurdo 
no mundo oblíquo dessas sacerdotisas. 


III
Além de ti, 
a última sentença que prolato, 
entretanto,  é minha discreta mão 
singrando o vento fosco 
e morrendo infinda  no limite 
da sua baía.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

No entanto são as névoas ambíguas dos afetos




Inquietas
tantas línguas
o tecido romano
cortante
os novelos ávidos
à flor da pele.
Éramos
sem querer
roedores.
Mas as cicatrizes de névoas,
além de outros vestígios,
cabiam
nas garrafas vazias
do meu adágio?