sexta-feira, 1 de março de 2013

Uma clara chama sob as águas




Julgava perdida a morte
que dançava sobre os seus cabelos,
cinza última,
um sopro de perfume da adolescência
e sem que soubesse da maçã
o gosto

Adormeceu sem ouvir o respirar,
o rumor das bocas nas palavras,
avesso da passagem do ar,
nudez matricial,
águas que não se cansavam do cântaro
iluminado

Esperava, a voz perdida,
a iminência do vento que respirava,
corpo vaporoso, última morada,
um inseto, o vaivém da folha
e um amor que se dissesse leve,
sem rastro

Finou-se com as águas afogando,
soltas, fosforescentes,
sob a luz da pele nos ossos,
que as hastes do efêmero trouxeram
sugando o seio desnudo do estio
perdido.

6 comentários:

  1. "que as hastes do efêmero trouxeram" é de torar, poemaço, poemaço



    abraço

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  2. a lembrar-me da efemeridade das coisas tantas esse teu poema, como também da leveza de outras todas... bjo

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  3. Leve como algo que se foi sem nunca ter sido. E teus versos pintaram tudo de um tom poético-fosforescente. Lindo, José.

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  4. Do efémero (quase) tudo se renega, pouco se sente. A não ser no fim.
    (Talento, não efémero, é o que eu respiro por aqui)

    Abraço

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  5. outra alma que nos diz
    tão etéreo e infinito
    a verdade que nos toca
    ...


    forte abraço.

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