sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

sem desprender-me de ti





a esponja já não apaga as linhas da memória, as sombras de vários acontecimentos perdidos nas minhas retinas. os signos amorfos do antimofo de quase um minuto atrás, aquela matéria do sonho já escrita, as citações das minhas quimeras. nada escapa agora dos meus dedos vorazes, e o lápis traz o imaginário tecido por fios de raio laser, cópia blasé da sintaxe enfurecida que um gramático em férias engendrou no cafè au printemps. Talvez nem isso, mas, quando o meu ego já tinha uma piração fenomenal do vazio da noite no bazar do meu inconsciente, um empedernido ator chinês já fazia a compra de enredos para uma escola de samba dos arredores de paris ou o mundo desabava no mar português em pânico, que é como eu me sentiria ao escrever as pequenas histórias dos heróis, que não seriam senão clichês do bas-fond de enredos medíocres, se a tpm de alzirinha, prá lá de esquisita, não se embarafustasse pelos meus sentidos nos happy hours, sem nenhuma roupa. à sombra da fina flor, de escuro desenho, o meu desejo soletrava as rasuras da voz de adriana calcanhoto pelas avenidas e pelos tiranos becos de feitio romântico da velha salvador.

7 comentários:

  1. um mergulho no cotidiano abissal:
    oh mar de sal/quanto do teu mal
    são lágrimas ou um pecado capital



    abraço

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  2. Um novo lugar, um novo poeta? :-) Dedos vorazes, eu os acompanho linha por linha agora.

    Beijos,

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  3. ôpa Jose, que bom reencontrar tuas letras vorazes por aqui, então. Lá no Tão Preto apagaram-se as luzes?

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  4. Depreendendo, desprendo-me e aprendo... vamos lendo!

    Abraço-tchê!

    :o)

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  5. Um novo poeta digno de ser lido e sentido.

    Abraço grande.

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  6. Já estive aqui várias vezes para comentar, mas o dom das palavras é de tal forma eloquente que acabei, sempre, por cultivar o silêncio. Fruindo, está claro.
    Deixo a minha admiração.

    Abraço

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