sábado, 5 de janeiro de 2013

O primeiro sol



Se antes eu soubesse disso,
recuaria algumas milhas
para colher os frutos
que se irrompem da terra.

Traduzo-a tão bem,
é o que me dizes sem rodeios.
Mas onde nasce o sol?
E onde moram as palavras?

Como se o teu corpo tivesse
outro espelho confundem-me 
as imagens e o dia da véspera 
alastra o que quiseste despertar 
em mim.

É das águas que falo
ou das músicas das cítaras?

E o teu lenço de linho
agasalha bem o teu pescoço?
Ou o esqueces nos ombros
com um desalinho casual?
Ou preferes agulhas nuas
crispadas até sangrar
na sala de brinquedos?

E o teu cheiro pela manhã
é de eucalipto ou de romã?

De tanto amar perdem-se os anéis
Mas não se morre de amor
Sentado no terraço da casa
num verão reinventado.
                                                                                          
                                             

6 comentários:

  1. Meu Deus, que coisa mais linda! Adorei tudo: o deserto, o perfil, a imagem e o poema, principalmente, esse. Estou sorrindo, eu que tanto detesto domingos...

    Sou insistente, pedi ajuda ao Google e aqui cheguei, Racker! :)

    Pode-se dormir leve, após orações ou sexo ou vinho, mas, dorme-se melhor com poesia porque essa invade a alma.

    Um abraço,

    Suzana Guimarães, a Lily

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  2. Que seja, então, o primeiro sol de muitos que ainda virão...
    E não se morre mesmo de amor? Certeza?
    Bjo

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  3. Outro blog do José Carlos Sant Anna! Lindo poema, nobre poeta! Já estou seguindo esse seu outro blog.

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  4. João Carlos,

    Que bela surpresa! Um novo espaço poético onde outras das tuas palavras moram.

    Concordo que não se morre de amor, fica-se no quase, qdo podemos reinventar a nós e ao outro.

    Anna Amorim

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  5. Não sabendo antes 'disso' ficaram-se as dúvidas despidas de angústias.
    Quanta pergunta.

    Será que interessará mesmo?

    As interrogações e o desconhecimento levam-te pela mão.
    E, tu! Deixas-te guiar soltando poesia, derramando amor que não é mortal.

    Importa sentir esse primeiro raio de sol, sentir, somente.

    Poesia é contigo, gosto muito.

    Beijinhos

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